O PAPEL DA FORMAÇÃO ACADÊMICA NO DESENVOLVIMENTO DE LÍDERES

 

* Marcela Claro

O mundo mudou e continua mudando mais rapidamente que as instituições educacionais. O modelo de formação profissional continua sendo quase o mesmo desde o século XIX. Investimentos insuficientes na educação, professores desatualizados, metodologias de ensino que não conseguem acompanhar os avanços tecnológicos, baixos incentivos à pesquisa, políticas atrasadas ou erradas de gestão nessa área, resultaram numa educação burocrática, desmotivadora e limitadora do potencial individual de todos que fazem parte das relações ensino-aprendizagem.

Talvez, você como aluno sinta que a formação ficou chata, teórica demais e não desperta a curiosidade nem instiga a descoberta. Se sente refém de regras, prazos e disciplinas rígidas. Talvez, você se sinta desconsiderado, desvalorizado e submetido a uma rotina sem sentido.

Você como professor é provável que sinta que seus alunos não se interessam por aprender, não o respeitam.  Talvez, se sente frustrado, desmotivado e angustiado, pois não encontra a forma de cativar e despertar o desejo pelo conhecimento. No fim, resignado com seu papel, você renunciou definitivamente ao prazer de ensinar e se limitou a cumprir com o conteúdo, apresentar as notas no prazo certo e manter o status quo exigido pelas instituições de ensino.

Há importantes estudos que indicam que a formação nos cursos de nível superior tem dificultado ao aluno o desenvolvimento da capacidade de identificar necessidades ou de tomar decisões. Isso tem implicações para as possibilidades de atuação profissional, já que, por definição, essa atuação depende da capacidade de identificar necessidades e utilizar o conhecimento produzido para solucionar, minimizar ou prevenir problemas.

Atualmente, em pleno Séc. XXI, a forma de organizar o que deve ser ensinado pelo professor considera, principalmente, duas dimensões: conteúdo e tempo. Essa forma ignora ou negligencia uma terceira dimensão que é fundamental: capacidade de intervenção.

Assim, nos diversos cursos as disciplinas são distribuídas dentro do que é chamado de “Grade Curricular”, um conjunto de conhecimentos fragmentados e compartimentalizados. Esse nome é bastante significativo, já que, muitas delas parecem representar verdadeiras grades que aprisionam a criatividade e a possibilidade de construir conhecimento novo ou de combinar conhecimentos de diferentes áreas para descobrir novas soluções aos diferentes problemas que surgem todos os dias.

Hoje, as empresas precisam profissionais que possuam competências capazes de criar soluções e não de profissionais que saibam apenas reproduzir algumas técnicas e procedimentos conhecidos e aceitos por todos.   Muitas vezes, me deparo com profissionais que ocupam cargos de liderança com sérias dificuldades para resolver problemas inesperados.  É comum ouvi-los em longas explicações e justificativas das origens desses problemas, quando não, ouvi-los indicando culpados e responsabilizando outros ou outras áreas por isso. Pior, alguns não se sentem sequer responsáveis por ter que encontrar uma solução e ficam passivos aguardando que alguém diga o que deve ser feito.

Ora, um profissional de nível superior deveria possuir como princípio básico:  competências de liderança, já que, ele representa o mais alto nível de preparação e, portanto sua atuação deveria ser sempre orientadora, construtora ou transformadora de realidades. Não é o que se encontra na maioria das empresas, ao contrário, cada vez mais é possível perceber o déficit de lideranças nas diferentes profissões.

Porém, é possível encontrar a solução para esse marasmo desestimulante e paralisador e reverter esse modelo de formação criando outro incrivelmente estimulante, divertido, emocionante e produtivo. O conhecimento precisa ser aplicado de forma criativa, afinal a imprevisibilidade e a incerteza fazem parte dos novos tempos. Os sistemas de ensino e aprendizagem precisam expandir seus objetivos e ir além do útil, lógico, eficiente e funcional. Para isso, é necessário mudar! Essa solução passa por quatro ações:

Criar ambientes de aprendizagens seguros: ambientes estimulantes, livres de pré-julgamentos. Ambientes onde a ousadia para ir além seja fortalecida, onde a pesquisa e a descoberta façam parte do dia a dia. Ambientes onde as relações professor/aluno sejam facilitadoras, abertas e democráticas e onde a afetividade e a emoção sejam reconhecidas como aspectos fundamentais para uma aprendizagem significativa. Ambientes onde o erro seja uma oportunidade de aprendizagem.

Desenvolver o poder da autoconfiança: criar condições de realizar ações bem sucedidas. Encontrar condições amenas de exigências, suficientemente motivadoras, porém, não demasiadamente ansiógenas ou estressoras.  Promover autonomia e independência de ação e pensamento. Focar nas ações da pessoa e não na pessoa em si mesma.

Vivenciar experiências surpreendentes: enfrentar, procurar ou criar situações diferentes das usuais ou comuns. Experimentar, testar e descobrir novas relações entre eventos.

Ver nos problemas oportunidades: ver problemas como sinônimo de matéria prima dos profissionais, a partir do qual é possível intervir transformando o conhecimento em capacidade de atuação profissional. Problemas não somente como algo que não deu certo, mas, também como questionamentos, indagações, desafios, ou decisões a serem tomadas. Problemas como elementos que podem ser abordados em diferentes níveis de atuação, desde o preventivo até a promoção ou manutenção do que é positivo.

Dessa forma, teremos instituições que formem profissionais líderes capazes da oferecer respostas à sociedade frente às necessidades emergentes num mundo em constante mudança. A formação acadêmica de nível superior tem um papel importante no desenvolvimento de líderes e não pode se omitir dessa responsabilidade.

As instituições de ensino superior precisam formar profissionais líderes que pensem nos interesses do coletivo e ajam cooperativamente para construir um mundo melhor para todos. Temos todos os recursos para iniciar uma verdadeira revolução de consciências, atitudes e comportamentos. A verdadeira democracia começa com o compartilhamento real e verdadeiro do conhecimento e do desenvolvimento das habilidades necessárias para aplicá-lo. Líderes são o resultado concreto disso.

 

*MARCELA CLARO (marcelaclaro@alar.com.br) é Doutora e Mestre em Psicologia Organizacional e do Trabalho. Master Coach Senior, atua com palestras e consultoria nas áreas de Gestão de Pessoas, Gestão de Desempenho e Gestão por Competências, onde utiliza métodos próprios e eficazes que despertam, envolvem e motivam mudanças nas pessoas e empresas em que atua. Marcela também é autora do livro “Os Segredos do Líder Coach Coach – Quatro chaves para liderar pessoas e obter resultados extraordinários”. www.marcelaclaro.com.br
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